A BNCC e o trabalho com números nas séries iniciais

Maria Ester Rechi

Mestranda em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP): Educação Científica, Matemática e Tecnológica. Graduada em Pedagogia pelo Instituto Vera Cruz. Professora de Ensino Fundamental I, membro do GEPEME – Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Matemática e Educação, na USP – Universidade de São Paulo, revisora de material didático de Matemática para o Ensino Fundamental I para adequação junto à BNCC.

Resolver problemas que envolvam números é central no ensino e aprendizagem da matemática.

A BNCC propõe que o trabalho com números nas séries iniciais do Ensino Fundamental possa desenvolver o pensamento matemático, por meio da quantificação de objetos, julgando e interpretando argumentos baseados em quantidades. No processo de construção do conceito de números na escola, espera-se que as crianças desenvolvam, entre outras ideias, a de aproximação, proporcionalidade, equivalência e ordem.

Resolver problema é central no ensino e aprendizagem da matemática e, considerando isso, a BNCC entende que nas séries iniciais os estudantes precisam saber resolver problemas com números naturais e com números racionais, cuja representação decimal é finita. Saber escolher qual operação usar para resolver o que está sendo pedido no enunciado do problema, argumentar e justificar suas escolhas e saber antecipar, controlando os possíveis resultados, são habilidades que o estudante deverá desenvolver por meio de situações propostas pela escola.

Para que o trabalho com a resolução de problemas seja potente, é preciso que o professor organize bem as sequências didáticas, rompa com o conceito do “mais simples para o mais complexo” e passe a considerar as relações entre os conceitos matemáticos. Além disso, é preciso levar em conta:

  • diferentes graus de desafios;
  • diferentes tipos de problemas;
  • diferentes contextos para trabalho (medidas, sistema monetário, números naturais, decimais, fração…);
  • diferentes estratégias de resolução.

Em relação ao cálculo, espera-se que as crianças possam desenvolver diferentes estratégias para a obtenção dos resultados que busca por meio de estimativa, cálculo algorítmico e mental e também com o uso da calculadora. Usar a calculadora em sala de aula muitas vezes é um desafio para os professores. Mas, é preciso considerar que se por um lado ela é uma ferramenta socialmente difundida e usada em diferentes situações do cotidiano, o seu uso durante as aulas de matemática permitirá aos estudantes explorarem propriedades do sistema para:

  • buscar e encontrar uma regularidade;
  • acelerar um procedimento;
  • validar um procedimento;
  • verificar de maneira imediata;
  • iniciar uma operação que permita fazer uma análise a respeito das relações internas entre os diferentes números.

O trabalho com números nas séries iniciais do Ensino Fundamental pretende desenvolver habilidades de leitura, escrita e ordenação de números naturais. No trabalho com os números racionais espera-se que os estudantes identifiquem e compreendam o sistema de numeração decimal, considerem o valor posicional dos números e que usem os números decimais em situações em que o número natural é insuficiente.

O trabalho com números precisa estar articulado com as demais unidades temáticas e assim orientar a formulação de habilidades e competências propostos pela BNCC. Portanto, é necessário que o professor tenha curiosidade em conhecer todas as unidades temáticas, que se estabeleça um trabalho em rede na escola com os professores das séries anteriores e posteriores, que se conheça as idéias das crianças para poder entendê-las e assim, elaborar e propor situações didáticas em que se apresente situações desafiadoras que as façam avançar. Enfim, é preciso conhecer além dos documentos oficiais que norteiam a educação do nosso país, os estudantes, suas ideias e hipóteses para intervir didaticamente e, de fato, ajudá-los a construir um conhecimento matemático significativo.

 

O encontro da Matemática com a BNCC: as unidades temáticas nas séries iniciais

Maria Ester Rechi

Mestranda em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP): Educação Científica, Matemática e Tecnológica. Graduada em Pedagogia pelo Instituto Vera Cruz. Professora de Ensino Fundamental I, membro do GEPEME – Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Matemática e Educação, na USP – Universidade de São Paulo, revisora de material didático de Matemática para o Ensino Fundamental I para adequação junto à BNCC.

Ensino da Matemática

Conhecer as unidades temáticas propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a Matemática e construir um trabalho em rede é fundamental para garantir a aprendizagem dos conteúdos pelos estudantes e também a qualidade do ensino nas escolas.

Ao apresentar a matemática como um campo de experiência, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece que o conhecimento matemático é importante para todos os estudantes, seja por sua aplicação na sociedade contemporânea ou pelas suas potencialidades na formação de cidadãos críticos, cientes de suas responsabilidades sociais.

Articulando os diversos campos – Aritmética, Álgebra, Geometria, Estatística e Probabilidade – a BNCC espera que os estudantes possam relacionar observações empíricas do mundo a representações (tabelas, figuras e esquemas), associar essas representações a uma atividade matemática (conceitos e propriedades) e ainda utilizar dos conhecimentos matemáticos para resolver problemas em diferentes contextos.

A BNCC traz como compromisso para o Ensino Fundamental o letramento matemático[1], na perspectiva de contribuir para que os estudantes desenvolvam, ao longo deste período escolar, as seguintes competências e habilidades:

O desenvolvimento destas habilidades está relacionado às formas de organização da aprendizagem matemática, tendo como base a análise de situações da vida cotidiana, as relações entre as diferentes áreas do conhecimento e da própria Matemática. Todos os processos matemáticos envolvidos na resolução de problemas, na investigação, no desenvolvimento de projetos e na modelagem são, ao mesmo tempo, objeto e estratégia para a aprendizagem ao longo de todo o Ensino Fundamental.

Com o objetivo de reunir ideias fundamentais (equivalência, ordem, proporcionalidade, interdependência, representação, variação e aproximação) que, articuladas entre si, possam favorecer o desenvolvimento do pensamento matemático, a BNCC propõe cinco unidades temáticas que, correlacionadas, orientam a formulação de habilidades e competências. Organizadas de forma progressiva, cada uma das unidades pode ter ênfase diferente a depender da do ano da escolarização. São elas:

  • raciocinar;
  • representar;comunicar e argumentar matematicamente;
  • favorecer o estabelecimento de conjecturas, a formulação e a resolução de problemas em diferentes contextos;
  • utilizar conceitos, procedimentos, fatos e ferramentas matemáticas.

Números

A unida de temática Números tem por objetivo desenvolver o pensamento numérico, que implica o conhecimento de maneiras de quantificar atributos de objetos e de julgar e interpretar argumentos baseados em quantidades. Além disso, durante o processo de construção do conceito de números os estudantes precisam desenvolver, entre outras, as ideias de aproximação, proporcionalidade, equivalência e ordem. Nas séries iniciais espera-se que os estudantes possam:

  • resolver problemas com números naturais e números racionais cuja representação decimal é finita, envolvendo diferentes significados das operações, argumentem e justifiquem os procedimentos utilizados para a resolução e avaliem a plausibilidade dos resultados encontrados;
  • desenvolver diferentes estratégias para a obtenção dos resultados, sobretudo por estimativa e cálculo mental, além de algoritmos e uso de calculadoras;
  • ler, escrever e ordenar números naturais e números racionais por meio da identificação e compreensão de características do sistema de numeração decimal, sobretudo o valor posicional dos algarismos;
  • aprofundar a noção de número, desenvolvendo atividades que envolvem medições, nas quais os números naturais não são suficientes para resolvê-las, indicando a necessidade dos números racionais tanto na representação decimal quanto na fracionária.

Álgebra

A unidade temática Álgebra tem por objetivo o desenvolvimento de um tipo especial de pensamento – pensamento algébrico – que é essencial para utilizar modelos matemáticos na compreensão, representação e análise de relações quantitativas de grandezas e, também, de situações e estruturas matemáticas, fazendo uso de letras e outros símbolos. As ideias matemáticas fundamentais vinculadas a essa unidade são: equivalência, variação, interdependência e proporcionalidade. Nas séries iniciais espera-se que os estudantes possam:

  • desenvolver ideias de regularidade, generalização de padrões e propriedades da igualdade;
  • explorar sequências (recursivas e repetitivas), seja na ação de completar uma sequência com elementos ausentes, seja na construção de sequências segundo uma determinada regra de formação;
  • resolver de problemas envolvendo a variação proporcional direta entre duas grandezas (sem utilizar a regra de três).

Geometria

A unidade temática Geometria tem por objetivo estudar posição e deslocamentos no espaço, formas e relações entre elementos de figuras planas e espaciais com o propósito de desenvolver o pensamento geométrico dos estudantes. Com este estudo, espera-se que os estudantes consigam investigar propriedades, fazer conjecturas e produzir argumentos geométricos convincentes. O aspecto funcional da Geometria (as transformações geométricas, sobretudo as simetrias) e as ideias matemáticas fundamentais associadas a essa temática (construção, representação e interdependência) também devem estar presentes no estudo. Nas séries iniciais espera-se que os estudantes possam:

  • identificar e estabelecer pontos de referência para a localização e o deslocamento de objetos;
  • construir representações de espaços conhecidos e estimem distâncias, usando, como suporte, mapas (em papel, tablets ou smartphones), croquis e outras representações;
  • identificar características das formas geométricas tridimensionais e bidimensionais;
  • associar figuras espaciais a suas planificações e vice-versa;
  • nomear e comparar polígonos, por meio de propriedades relativas aos lados, vértices e ângulos;
  • manipular representações de figuras geométricas planas em quadriculados ou no plano cartesiano, e com recurso de softwares de geometria dinâmica para o estudo das simetrias.

Grandezas e medidas

Os estudos das Medidas e das relações entre elas favorece a integração da Matemática com outras áreas do conhecimento como Ciências (densidade, grandezas e escalas do Sistema Solar, energia elétrica etc.) ou Geografia (coordenadas geográficas, densidade demográfica, escalas de mapas e guias etc.). Essa unidade temática contribui ainda para a consolidação e ampliação da noção de número, a aplicação de noções geométricas e a construção do pensamento algébrico. Nas séries iniciais espera-se que os estudantes possam:

  • reconhecer que medir é comparar uma grandeza com uma unidade e expressar o resultado da comparação por meio de um número;
  • resolver problemas oriundos de situações cotidianas que envolvem grandezas como comprimento, massa, tempo, temperatura, área (de triângulos e retângulos) e capacidade e volume (de sólidos formados por blocos retangulares), sem uso de fórmulas, recorrendo, quando necessário, a transformações entre unidades de medida padronizadas mais usuais;
  • resolver problemas sobre situações de compra e venda e desenvolver, por exemplo, atitudes éticas e responsáveis em relação ao consumo.

Probabilidade e estatística

A unidade temática Probabilidade e estatística tem por objetivo a abordagem de conceitos, fatos e procedimentos presentes em muitas situações-problema da vida cotidiana, das ciências e da tecnologia. Sendo assim, a BNCC pretende que os estudantes desenvolvam habilidades para coletar, organizar, representar, interpretar e analisar dados em uma variedade de contextos, de maneira a fazer julgamentos bem fundamentados e tomar as decisões adequadas. Isso inclui raciocinar e utilizar conceitos, representações e índices estatísticos para descrever, explicar e predizer fenômenos. Nas séries iniciais espera-se que os estudantes possam:

  • compreender de que nem todos os fenômenos são determinísticos;
  • desenvolver a noção de aleatoriedade, de modo que compreendam que há eventos certos, eventos impossíveis e eventos prováveis.

Na BNCC, as habilidades na área de Matemática foram agrupadas de modo que a progressão destas habilidades ampliam-se ano a ano e ainda possibilitam a relação com outras áreas do conhecimento. A relação de progressão também se dá na complexidade das situações-problemas propostas, que exige um conhecimento matemático acumulado ao longo da escolarização. Ao organizar a Base desta forma, fica colocado aos professores o desafio de trabalhar em rede, onde um professor é convocado a conversar com o outro sobre o que os estudantes aprenderam na série anterior, quais foram os avanços e os desafios do grupo e individuais. Neste sentido, a atuação em rede, na perspectiva do trabalho proposto pela BNCC, torna-se fundamental para a aprendizagem dos estudantes e para a qualidade do ensino.

[1] Documento de referência: Matriz do Pisa 2012. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/acoes_internacionais/pisa/marcos_referenciais/2013/matriz_avaliacao_matematica.pdf>. Acessado em 06/08/19.

A proposta investigativa para o ensino de Ciências da Natureza: uma perspectiva para engajar estudantes a partir da BNCC

Adriana Terahata

Doutora e Mestre em Educação: Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Graduada em Pedagogia e Fonoaudiologia. Professora do Ensino Fundamental I, mediadora de leitura e formadora de professores.

Fazer perguntas sobre o mundo que nos cerca e buscar possíveis respostas para estas dúvidas são caminhos que valorizam a curiosidade dos estudantes e, deste modo, contribuem para o comprometimento com o próprio percurso de aprendizagem.

 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) apresenta em seu texto o claro compromisso com o desenvolvimento de competências e uma perspectiva de educação integral que desafia as instituições escolares a proporem uma prática educativa que supere a fragmentação do conhecimento e proporcione, de modo sistemático e gradual, uma relação reflexiva, prática e contextualizada com a realidade, assim como considere as singularidades dos estudantes brasileiros.

Na área de Ciências da Natureza o texto introdutório apresenta aspectos importantes que devem ser considerados durante o processo de escolarização. Um exemplo refere-se ao destaque para a necessidade de: conhecimentos éticos, políticos, culturais e científicos visando a formação integral dos sujeitos.

Também é apresentada a perspectiva de letramento científico entendido como possibilidade de compreender, interpretar e transformar o mundo, de entender, em última instância, como a ciência é feita. Nesse sentido, a ciência está atrelada a um entendimento de cidadania, isto é, a capacidade de agir no e sobre o mundo.

De acordo com a BNCC, nos anos iniciais do Ensino Fundamental pretende-se que os estudantes tenham acesso a diversidade de conhecimentos científicos e a aproximação de processos, práticas e procedimentos da investigação científica.

Desse modo, o processo investigativo é central e envolve:

a) definir o problema;
b) levantamento, análise e representação;
c) comunicação;
d) intervenção.

O documento também apresenta competências específicas e as unidades temáticas que devem ser abordadas e envolvem habilidades progressivas ao longo do processo de escolarização.

O ensino por investigação pode contribuir para consolidar um pensar-fazer integral. Nesta abordagem, a aprendizagem não acontece só por experimentação ou só por apropriação de conceitos isolados, ela se dá em uma relação direta com a realidade de modo reflexivo e colaborativo. A estratégia do ensino investigativo envolve a predição (o que vai acontecer) e hipóteses (porque acho que aquilo vai acontecer – uma explicação).

Para implementar uma prática investigativa os professores devem estar atentos à alguns aspectos, tais como:

  • todo percurso em Ciências é concebido para responder uma ou várias questões. Quais são estas perguntas? É preciso compartilhar este propósito com os estudantes para que eles se engajem na busca pelas possíveis respostas.
  • é importante valorizar o que os estudantes pensam sobre o que será abordado desde pequenos. O fazer científico envolve um permanente exercício argumentativo e, para tanto, as diferentes discussões sobre registros e leituras devem ser consideradas, mesmo que, inicialmente, pareçam equivocadas.

Na BNCC, a criação de problemas, o levantamento de hipóteses e a investigação sobre diversos temas são aspectos considerados como importantes do trabalho em Ciências da Natureza. Portanto é fundamental que os professores identifiquem, ao longo do percurso educativo, os conceitos que querem desenvolver com os alunos e não para eles e, principalmente, quais práticas científicas (levantamento de hipóteses, argumentação, investigação, testes, validações etc.) estão sendo favorecidas pelas atividades propostas. O ensino-estudo de ciências se dá, deste modo, estabelecendo relações (comparando fenômenos) e esta é uma habilidade cognitiva transversal em toda área de Ciências da Natureza.

Jogos, Desafios e Curiosidades

Um dos grandes compromissos da educação matemática é o desenvolvimento do raciocínio lógico e da capacidade do aluno de organizar estratégias pessoais para resolver diferentes tipos de problemas.

A utilização de jogos e desafios, juntamente com a apresentação de situações curiosas, padrões artísticos na natureza ou mesmo a geometria de grandes edificações, onde podem perceber a presença de características dos conteúdos estudados, é uma eficiente alternativa para aumentar a motivação para a aprendizagem e desenvolver a concentração, a atenção e o trabalho cooperativo dos alunos.

Conhecida como  trombeta, as pétalas  da flor parecem girar, como um catavento.

A aprendizagem mediada por atividades envolvendo jogos com cartões, palavras cruzadas, movimentação de palitos, dobraduras e outros, permite que o processo de aprendizagem seja divertido, aumentando a proximidade afetiva do aluno com a Matemática.

Mova dois palitos para obter três triângulos

Procure sempre oferecer esse tipo de atividade para seus alunos. Além de ajudá-los na compreensão de certos conceitos matemáticos, elas são um excelente estímulo para que eles desenvolvam o prazer de aprender Matemática.

Conheça alguns Jogos, Desafios e Curiosidades clicando no menu Ensino Fundamental I, e escolhendo a opção Atividades.

O PLANEJAMENTO ESCOLAR NO ENSINO FUNDAMENTAL

O trabalho a ser desenvolvido em um ano letivo deve obedecer a um processo de organização que chamamos de planejamento escolar. Um planejamento bem discutido deve estabelecer vias de articulação entre as atividades escolares e o contexto no qual se insere a escola. Além disso, deve ser pensado de tal forma que permita mudanças em seu escopo ao longo do processo de trabalho, objetivando uma maior eficiência e adaptação às dificuldades enfrentadas pelos alunos ao longo do processo de ensino e aprendizagem. De forma sintética, o planejamento deve ser simples, objetivo e flexível.

No desenvolvimento do planejamento escolar devemos contemplar diferentes momentos de reflexão sobre nossas ações e nossa postura ao aplicá-lo e adaptá-lo ao longo de sua execução.

Sempre é bom lembrar que opções metodológicas, das quais derivam práticas e estratégias pedagógicas, relacionam-se com a postura que pretendemos assumir no trabalho escolar. Isso significa ser mais ou menos diretivo, organizar processos de discussão, propor atividades e trabalhos instigantes e momentos que favoreçam o estreitamento das relações entre a escola e a comunidade. É preciso, portanto, que, ao montar o planejamento se busque uma reflexão sobre essas ações e opções.

O planejamento escolar deve ser como um guia de orientação para todos os envolvidos no processo de ensino. Ele deve ter obedecer a uma sequência lógica e vincular-se aos objetivos da escola e àqueles mais específicos, vinculados às diferentes disciplinas e conteúdos.

O planejamento precisa manter uma relação entre os objetivos, o conteúdo, os alunos, os métodos e as formas de avaliação, para assegurar a unidade e a coerência do trabalho. Ele também deve facilitar o processo de preparação das aulas, orientando a seleção de materiais didáticos complementares que se fizerem necessários casos de situações imprevistas no decorrer das aulas.

No planejamento escolar é indispensável, portanto, a descrição dos conteúdos que serão abordados, dos objetivos de ensino e aprendizagem e das práticas pedagógicas. Com o advento da Base Nacional Comum Curricular, é apropriado que o planejamento traga também os vínculos entre conteúdos e objetivos com os objetos de conhecimento relativos à disciplina e ao ano do Ensino Fundamental em relação ao qual ele foi desenvolvido.
Por fim, vale a pena enfatizar que, entre as práticas pedagógicas previstas no planejamento, destacam-se aquelas que se relacionam com a avaliação. Esse importante item do planejamento deve propor diferentes formas, processos e instrumentos, adequando cada um aos objetivos de ensino propostos.

Conheça alguns planejamentos clicando no menu Ensino Fundamental I, e escolhendo a opção Planejamentos.

UMA PALAVRA SOBRE AVALIAÇÃO ESCOLAR

O ato de avaliar está presente em todos os domínios de atividade humana. No universo da escola de Educação Básica, ela se apresenta formalmente organizada e sistematizada, vinculada a objetivos escolares implícitos ou explícitos, que, por sua vez, refletem valores e normas sociais. A avaliação escolar não acontece em momentos isolados do trabalho pedagógico: ela o inicia, permeia todo o processo e o conclui.
A avaliação está estritamente ligada à natureza do conhecimento, e uma vez reconhecida essa natureza, a avaliação deverá ajustar-se a ela se quiser ser fiel e manter coerência com os objetivos de ensino daquela etapa do processo.
É importante que os educadores tenham em conta que a avaliação não é uma atividade neutra ou meramente técnica, mas sim uma atividade dimensionada de tal forma que mantenha coerência com os princípios metodológicos assumidos na prática pedagógica.
Na condição de avaliador, o professor irá interpretar e atribuir sentidos e significados à avaliação escolar. Existem vários tipos de avaliações onde o professor conseguirá observar o desenvolvimento do aluno, um exemplo é a prova, com questões abertas dissertativas onde o aluno coloca com suas palavras o que entendeu sobre o assunto. Esse tipo de instrumento de avaliação pode conter também questões de múltipla escolha, para que o aluno indique uma ou mais respostas coerentes com a pergunta. Outra forma de avaliar o aluno é aquela que chamamos de auto avaliação, na qual, através de algumas afirmações, ele irá analisar e dizer como foi seu desenvolvimento.
No contexto escolar, avaliar não é somente atribuir uma menção a um aluno através de uma única nota que ele tenha tirado em uma prova, pois, muitas vezes, no dia daquela prova, o aluno pode não estar bem emocionalmente, pode ter acontecido algo que o tenha deixado abalado e por isso prejudicar seu desempenho na prova.
A avaliação deve ser um instrumento no qual se possa identificar e analisar a evolução, o rendimento e as modificações do educando, confirmando a construção do conhecimento, que reúna toda sorte de produções do aluno, observações do professor, educacionalmente contextualizadas e não algo que é usado apenas para dar satisfação aos pais do que foi aprendido ou não pelo aluno ou para indicar se o aluno foi ou não foi aprovado.
Fazendo uma analogia com o cinema, o processo de avaliação equivale ao filme, enquanto que uma prova pode ser comparada a uma fotografia. Porém, mesmo que a preocupação principal seja o filme, devemos nos preocupar também em produzir boas fotografias, indicando claramente os objetivos de ensino e habilidades que serão avaliadas e preparando um processo de correção que possa identificar as dificuldades individuais de cada aluno.

Conheça algumas avaliações escolares clicando no menu Ensino Fundamental I, e escolhendo a opção Avaliações.

Projeto Integrador – 1º Ano – Um pé de quê? Árvores do entorno da escola

O projeto Um pé de quê? foi elaborado com o objetivo de possibilitar as crianças conhecerem as árvores
do entorno da escola e assim estabelecer novos vínculos com o lugar em que estão inseridas, bem como a percepção desse ambiente e cuidado.
Elas irão listar as árvores que conhecem e fazer uma entrevista para descobrir mais a respeito das árvores do entorno da escola. Para saber mais sobre as árvores, realizarão, ainda, um trabalho de investigação de campo onde farão desenho de observação, coleta de folhas, galhos e gravetos dessas árvores e pesquisarão sobre os tipos de árvores e suas características.
O projeto articula-se principalmente com Língua Portuguesa, desenvolvendo habilidades de leitura, escrita e procedimentos para tornar-se um bom estudante.
É importante ressaltar que nos anos iniciais as atividades buscam apoiar a aquisição do sistema de escrita alfabética, onde as crianças são expostas a situações de leitura e produção, mesmo antes de dominar tais habilidades. Isso porque as crianças lançam mão de conhecimentos prévios sobre o assunto e carregam um repertório de conhecimentos que permitem trabalhar estratégias de leitura e escrita. O desenvolvimento da oralidade também é estimulado em situação de troca de informações, fazer perguntas pertinentes na entrevista etc.
Como produto final do projeto teremos uma exposição de artes e a produção de um folheto, em que mostrarão as descobertas e os trabalhos produzidos durante o projeto.
A proposta deste projeto é favorecer o envolvimento dos professores, dos alunos e da comunidade, na construção de um empreendimento coletivo. Ele propicia o trabalho com conteúdos que envolvem conceitos, atitudes, valores e procedimentos, favorecendo o desenvolvimento de capacidades física, ética, estética, afetiva, intelectual, de relação e inserção social. Permite dispor do tempo didático de maneira flexível e previamente estabelecida; implica em tarefas coletivas compostas de diversas subtarefas; exige planejamento, divisão de trabalho e de responsabilidades, construção de conhecimentos específicos, uso de recursos tecnológicos, trabalho em grupo e avaliação de resultados em função do plano inicialmente traçado.
Os lugares têm características próprias que os torna únicos, por isso observar o entorno da escola é uma tarefa que possibilita aos alunos reconhecerem que esse espaço se revela enquanto intervenção humana e como ação da natureza. Assim, o projeto proporciona o conhecimento da flora que cerca a escola, estabelecendo um vínculo de valorização e cuidado das árvores do entorno.

 

Projeto Integrador – 2º Ano – Trançados indígenas

A arte indígena, especificamente os trançados, representa uma grande oportunidade de explorar conceitos e relações geométricas, pois nessa manifestação artística é possível identificar figuras planas e desenhos com padrões e simetrias. Para o 2 o ano, espera-se que os alunos tenham diferentes vivências que impliquem tanto a observação e a análise de manifestações artísticas quanto tenham um fazer artístico. Espera-se também que todo esse percurso seja contextualizado para que possam reconhecer a cultura indígena como parte da identidade da sociedade em que vive, o povo brasileiro, e, desse modo, respeitá-la
e valorizá-la.

Neste projeto, os alunos irão construir um pequeno cesto a partir do estudo das figuras geométricas planas e dos trançados indígenas de diferentes povos e em diversos suportes, como em esteiras e cestarias.
Ao final, os objetos confeccionados serão apresentados à comunidade escolar e/ou aos familiares e, posteriormente, poderão ser levados para casa.

Projeto Integrador – 5º Ano – RPG de Super-Heróis

O projeto visa à produção, pelos estudantes, de um Jogo de Interpretação (RPG: Role Playing Game). Essa atividade trabalhará a capacidade narrativa oral, explorando a criatividade dos alunos, na criação de narrativas ficcionais compartilhadas e de forma que observem elementos como enredo, personagens, tempo e espaço atreladas às regras preestabelecidas de um jogo.
A interação oral, ao mesmo tempo criativa e regrada, proporcionará oportunidades peculiares de convivência entre os estudantes em um ambiente de cooperação e respeito. Neste ambiente lúdico, a sorte nos dados é um elemento fundamental que pode alterar radicalmente o destino das narrativas, fazendo com que os alunos se familiarizem com o cálculo de probabilidades.
O projeto compõe-se de duas fases distintas:
1. A preparação das regras e elaboração das fichas e planilhas do jogo.
2. O jogo de RPG criando a narrativa a partir das regras preestabelecidas.