A proposta investigativa para o ensino de Ciências da Natureza: uma perspectiva para engajar estudantes a partir da BNCC

Adriana Terahata

Doutora e Mestre em Educação: Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Graduada em Pedagogia e Fonoaudiologia. Professora do Ensino Fundamental I, mediadora de leitura e formadora de professores.

Fazer perguntas sobre o mundo que nos cerca e buscar possíveis respostas para estas dúvidas são caminhos que valorizam a curiosidade dos estudantes e, deste modo, contribuem para o comprometimento com o próprio percurso de aprendizagem.

 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) apresenta em seu texto o claro compromisso com o desenvolvimento de competências e uma perspectiva de educação integral que desafia as instituições escolares a proporem uma prática educativa que supere a fragmentação do conhecimento e proporcione, de modo sistemático e gradual, uma relação reflexiva, prática e contextualizada com a realidade, assim como considere as singularidades dos estudantes brasileiros.

Na área de Ciências da Natureza o texto introdutório apresenta aspectos importantes que devem ser considerados durante o processo de escolarização. Um exemplo refere-se ao destaque para a necessidade de: conhecimentos éticos, políticos, culturais e científicos visando a formação integral dos sujeitos.

Também é apresentada a perspectiva de letramento científico entendido como possibilidade de compreender, interpretar e transformar o mundo, de entender, em última instância, como a ciência é feita. Nesse sentido, a ciência está atrelada a um entendimento de cidadania, isto é, a capacidade de agir no e sobre o mundo.

De acordo com a BNCC, nos anos iniciais do Ensino Fundamental pretende-se que os estudantes tenham acesso a diversidade de conhecimentos científicos e a aproximação de processos, práticas e procedimentos da investigação científica.

Desse modo, o processo investigativo é central e envolve:

a) definir o problema;
b) levantamento, análise e representação;
c) comunicação;
d) intervenção.

O documento também apresenta competências específicas e as unidades temáticas que devem ser abordadas e envolvem habilidades progressivas ao longo do processo de escolarização.

O ensino por investigação pode contribuir para consolidar um pensar-fazer integral. Nesta abordagem, a aprendizagem não acontece só por experimentação ou só por apropriação de conceitos isolados, ela se dá em uma relação direta com a realidade de modo reflexivo e colaborativo. A estratégia do ensino investigativo envolve a predição (o que vai acontecer) e hipóteses (porque acho que aquilo vai acontecer – uma explicação).

Para implementar uma prática investigativa os professores devem estar atentos à alguns aspectos, tais como:

  • todo percurso em Ciências é concebido para responder uma ou várias questões. Quais são estas perguntas? É preciso compartilhar este propósito com os estudantes para que eles se engajem na busca pelas possíveis respostas.
  • é importante valorizar o que os estudantes pensam sobre o que será abordado desde pequenos. O fazer científico envolve um permanente exercício argumentativo e, para tanto, as diferentes discussões sobre registros e leituras devem ser consideradas, mesmo que, inicialmente, pareçam equivocadas.

Na BNCC, a criação de problemas, o levantamento de hipóteses e a investigação sobre diversos temas são aspectos considerados como importantes do trabalho em Ciências da Natureza. Portanto é fundamental que os professores identifiquem, ao longo do percurso educativo, os conceitos que querem desenvolver com os alunos e não para eles e, principalmente, quais práticas científicas (levantamento de hipóteses, argumentação, investigação, testes, validações etc.) estão sendo favorecidas pelas atividades propostas. O ensino-estudo de ciências se dá, deste modo, estabelecendo relações (comparando fenômenos) e esta é uma habilidade cognitiva transversal em toda área de Ciências da Natureza.

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